Após o movimento intenso do mês de dezembro, impulsionado pelas vendas de Natal e os gastos de fim de ano, o comércio brasileiro enfrenta um tradicional período de retração em janeiro. Este fenômeno, recorrente no calendário comercial, foi acentuado em 2025 pelas despesas inevitáveis do início do ano, a troca de gestão em algumas cidades e a alta inflacionária que continua a pressionar o poder de compra da população.
O cenário reflete a combinação de uma desaceleração natural após os festejos de dezembro e o peso das despesas típicas de janeiro, como IPTU, IPVA, matrículas escolares e material didático. Esses custos fixos comprometem grande parte do orçamento familiar, reduzindo a margem para gastos com consumo discrecionário.
Outro fator que contribui para o desaquecimento do mercado é a troca de gestão em várias prefeituras. A mudança de administração pode gerar atrasos em licitações e contratações, impactando diretamente pequenos fornecedores e prestadores de serviços locais que dependem do setor público.
A inflação, que fechou 2023 em 5,8%, segue como uma das principais preocupações do empresariado. Projeções do mercado indicam uma leve desaceleração para 2025, com estimativa de 4,7%, mas ainda acima da meta estipulada pelo Banco Central. O aumento no custo de insumos, aluguéis e energia elétrica é repassado ao consumidor, o que reduz a competitividade e as margens de lucro dos comerciantes.
Diante desse cenário, especialistas apontam algumas estratégias para atravessar momentos delicados como este. Investir em promoções atrativas, renegociar condições com fornecedores e diversificar produtos e serviços são medidas que podem ajudar a minimizar os impactos. Além disso, o uso de ferramentas digitais para alcançar um público mais amplo pode ser uma saída eficaz para driblar a retração no consumo.
Apesar das dificuldades, o início do ano também traz boas oportunidades. O carnaval, que em 2025 será celebrado no início de março, é uma excelente ocasião para reaquecimento do comércio, especialmente nos setores de turismo, alimentação, vestuário e entretenimento. A expectativa é que o evento movimente cerca de R$ 8 bilhões na economia, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Assim, embora o período de janeiro seja tradicionalmente desafiador, o ciclo é natural e, com planejamento e estratégias adequadas, os comerciantes podem transformar os desafios em oportunidades e retomar o fôlego ao longo do ano.
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