Foto: O Kotidiano



A frase "os meus problemas estão do meu portão para dentro", dita por um vereador de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, diante da cobrança de um cidadão sobre um problema de trânsito nas imediações da Câmara Municipal, ilustra um preocupante desconhecimento sobre as responsabilidades do cargo que ocupa. O episódio levanta um questionamento essencial: de quem são, afinal, os problemas de uma cidade?

O vereador, como representante eleito pelo povo, tem a função primordial de legislar, fiscalizar e representar os interesses da população perante o poder público. A sua atuação não pode, e nem deve, se limitar ao seu interesse pessoal ou a uma visão restrita do espaço que ocupa. Ao contrário, ele é parte essencial do elo entre os cidadãos e o Poder Executivo, sendo sua obrigação zelar pela qualidade de vida dos munícipes e cobrar providências para questões que afetam o dia a dia da população.

As instituições democráticas funcionam com base na interdependência de poderes, e o legislativo municipal tem um papel essencial nesse equilíbrio. A Câmara de Vereadores deve atuar como um órgão fiscalizador das ações do prefeito, garantindo que a cidade seja gerida com transparência e responsabilidade. Ignorar problemas urbanos, como o trânsito, saneamento ou segurança pública, sob a justificativa de que não são questões "pessoais" do parlamentar, é um sinal alarmante de omissão e desconhecimento de suas atribuições.

Além da função legislativa, o vereador é, por essência, a voz do povo dentro do governo municipal. Seu mandato não deve ser apenas um trampolim para interesses individuais ou políticos, mas um compromisso diário com a melhoria da cidade e o bem-estar dos seus habitantes. Quando um vereador se exime de suas responsabilidades, ele rompe esse elo fundamental, transformando-se em um ocupante de cargo, e não em um agente de transformação.

O nome do parlamentar em questão não será citado nesta reportagem porque notoriedade não deve ser dada a quem enxerga o cargo público de forma deturpada. O foco deve estar na reflexão sobre o papel do legislativo municipal e na cobrança de um mandato verdadeiramente comprometido com a coletividade. Se um vereador acredita que os problemas da cidade não são seus, talvez ele devesse repensar sua permanência na função que ocupa.

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